Monday, March 17, 2008

Estratégia errada, mas missão cumprida

A história desta prova resume-se apenas a uma coisa. Cumpri efectivamente o que tinha planeado, e para o qual acima de tudo tinha treinado.
Estava na dúvida de se iria seguir uma estratégia de dar o máximo desde o ínicio até rebentar (restava a dúvida em que quilómetro), ou fazer a estratégia com a qual eu me tenho dado bem.
A prova quanto a mim, esteve mal em termos organizativos. Pois foi práticamente impossível correr em cima daquele tabuleiro.
Muitas pessoas no final a queixarem-se disso mesmo.
"Atletas" nos lugares da frente sentados a ler o jornal, atletas com dorsais da mini-maratona nas linhas da frente da meia maratona. Enfim, a isto não se pode chamar organização. Olhem p.f. para a corrida do tejo, e talvez aprendam qualquer coisa.
Atravessei a linha de partida a andar práticamente. Depois foi um alterar constante de ritmo, desde autênticos sprints a autenticas travagens. Desde 3:30; 3:40 até 5:30min/km. Simplesmente um ínicio de prova maravilhoso!
O único lugar que encontrei mais liberto para correr foi junto ao separador, pelo gradeamento. Rebentou-me logo ali os meus músculos.
Os primeiros 5kms corridos à volta dos 00:20:00min. A descida para Alcantara feita a 3:38min/km. Nesta altura, a estratégia estava escolhida. A minha lebre lá ia puxando. Puxando por ela e por mim.
Perto dos 10kms já levava cerca de 30-40mts de avanço. Eu, sempre com os olhos colocados no meu amigo Proença tentei efectivamente mantê-lo sempre vísivel, pois sabia que se o fizesse com certeza iria fazer um excelente tempo.
Sempre na casa dos 4:00min/km, lá fui andando até ao abastecimento do quilometro 12. Em que tive de abrandar um bom bocado para abastecer, e aí deixei de ver o meu amigo. Estava por minha conta.
O cansaço já se fazia sentir. Mesmo assim ainda fui andado na casa dos 4:04-4:05min/km até ao quilómetro 15. A média na altura estava a 4:00min/km. Tempo previsto de chegada na altura: 1h:24m:00
Mas ao quilómetro 15, veio o estoiro. Eu já estava à espera dele. Só não sabia quando iria acontecer.
Sabia que desde o momento que adoptasse esta estratégia de começar forte nos primeiros quilómetros, mentalmente estava forte o suficiente para sofrer. E assim aconteceu.
Do quilómetro 15 em diante, foi abrandar ritmo para 4:15min/km, desligar tudo o resto, e só a cabeça mandava andar para a frente. O resto da prova era somente força mental.
A força nas pernas estavam completamente esgotadas.
Ao quilómetro 17 ainda deslumbrei aquele que eu pensava ser o meu amigo Proença, pelo que ainda acelerei um pouco, mas acabei por verificar que não era ele.
Lá retornei de novo ao mesmo ritmo, e foi assim até ao fim. Sempre a sofrer.
A coisa não dava mais.
A minha única motivação era apenas bater o objectivo para o qual tinha treinado. E isso chamava-se 1h30m.00
E por nada eu iria deixar de o conseguir.
Acabei por cortar a meta com o tempo de 1h27m30seg.
Totalmente esgotado.
O que normalmente não gosto de fazer, que é dar o estoiro desta vez foi deliberado.
Gosto de fazer sempre um meio->final de prova sempre bem mais forte do que o ritmo que pretendo.
Terminei com dores musculares, fruto de não ter feito práticamente aquecimento nenhum e ter começado logo num ritmo apenas do meio da prova em diante imaginável para mim, depois de já ter alguns quilómetros nas pernas e de estar bem quente.
Fiquei contente por apesar de tudo ter cumprido o meu objectivo, tal como tenho vindo a treinar.
Retirei cerca de 11mins em relação à meia maratona da ponte Vasco da Gama em Setembro último.
Penso que de facto o meu grau de progressão está a vir a ser bom, fruto de muito treino e persistência.
Dizem-me que tenho treino e ritmo para muito mais. Talvez acredite. Não sei. Mas, que ontem custou, lá isso custou.
Sei que nunca deixarei de ter medo de arriscar em demasia. E talvez isso me limite. Mas sou mesmo assim.
Seja como fôr. Vou fazendo os meus tempos. Se a dada altura da prova estava com a esperança de fazer 1h24, e não consegui, enfim, logo lá chego.
Não foi nesta, há-de ser em outra, em que treinarei para tal, e para mentalmente estar fortalecido para esse objectivo.

2 comments:

Anonymous said...

Amigo Nuno,

Estamos vivos... e com marcas à meia que não desprestigiam...
Penso que, pior que estratégia errada foi, isso sim, a bagunça daquela partida:
- falta de zona de aquecimento, que impossibilitou a necessária descontracção e preparação muscular e cardíaca para o início da prova;
- a partida na "molhada" com pessoas que mais parecia que iam gozar o Carnaval e com outras que estavam "pacientemente" sentadas a aguardar o início da "função" e que só serviram para atrapalhar no tabuleiro;
- toda aquela correria louca no tabuleiro para nos conseguirmos posicionar melhor e que nos obrigou a fazer quase 3 Kms por cima do gradeamento pois o alcatrão estava "ocupado" por atletas de "ocasião" que aproveitavam para tirar fotografias em andamento.

Não é possível medir com rigor o efeito que tudo isto teve no tempo final mas, seguramente, teríamos conseguido menos 1 ou 2 minutos, em condições normais.

Não sou um inimigo da táctica do início mais lento para uma segunda parte mais rápida, mas sempre vou dizendo que, desta forma, não se batem records - sejam eles do mundo ou pessoais. Por exemplo, ainda estavam decorridos poucos Kms e já os comentadores diziam que não seria possível obter o melhor tempo mundial da distância.

Sou adepto da teoria de fazer um início de corrida num ritmo "confortável", mas dentro dos tempos médios necessários à obtenção do resultado final pretendido.

Há-de haver uma corrida na nossa vida em que, tudo correndo na perfeição, tiraremos o maior proveito em termos de tempo final, do andamento mais elevado colocado no início da prova.

Novos "capítulos" se seguirão - um objectivo foi conseguido, agora há que arranjar motivação para novos desafios.

Cá nos continuaremos a encontrar...

Um abraço do amigo,

Proença

Nuno said...

Amigo Proença,
é de facto muito bom ouvir os seus conselhos e a sua força.
Com certeza, terei de alterar alguns pontos dos meus treinos para habituar o meu corpo a um ínicio mais forte do que é costume.
E com certeza, novos "capítulos" se seguirão, espero que muitos na tua companhia.

um abraço do teu amigo
Nuno